Three Fashionable Movies (Spoil Alert)

Em setembro vi muitos, mesmo muitos filmes giros e pelo meio aproveitei para ver três boas histórias relacionadas com moda, que me estavam a escapar e em lista de espera há demasiado tempo. Um deles um grande clássico, outro deles todos conhecem (e os anos foram passando sem o ver), o último uma inesperada surpresa.

 

Devil Wears Prada

Um filme que já toda a gente viu, mas eu não tinha visto: sabia que ia gostar de certeza, mas o tempo simplesmente passou sem o ver, nunca calhou. Num dia destes lembrei-me que nele se juntavam a Anne Hathaway (que adoro), a Meryl Streep (dispensa comentário) e a Emily Blunt, e que era sobre moda e se passava em Nova Iorque. Em cima desta informação ainda descobri que o filme esteve nomeado para dois Óscares e para mais uma série de outros prémios do respetivo ano. Não deu para perder mais tempo e vi o filme.

Valeu muito a pena. Pela inspiração de moda, por Nova Iorque, pelo fashion insight Mas acima de tudo por nos mostrar como pode ser duro e inglório trabalhar nesta indústria. Onde tudo é “para ontem”, com níveis de competição fora de série, onde interessa bastante o que se vê e o que se aparenta (por isso fica tão tentador pisar e passar por cima), onde não pode haver perdão com as falhas, onde os génios passam da glória ao esquecimento em segundos e vice-versa.

É uma indústria que pode ser ingrata e que certamente não é para todos, mas que hoje em dia já parece acessível – está um pouco mascarada entre tantos digital influencers e circos montados à volta de cada evento de respeito.

O filme, de certa forma, é um regresso à essência de uma indústria que é tão importante quanto todas as outras. Além disso, é sobre escolhas pessoais e sacrifícios em nome do sucesso. O que é mais importante na vida? Pois é, depende das pessoas. Não há o certo e o errado, não há o bem e o mal: há gostos diferentes, personalidades diferentes, objetivos diferentes. No fim fica uma sensação de que não sabemos que escolhas faríamos se fossemos a protagonista.

Dúvidas à parte, é sempre uma inspiração entrar nos bastidores de uma grande revista de moda e que bom foi atravessar esta correria entre festas e compromissos de moda que é o Devil Wears Prada, em plena NYC.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

House of Versace

O filme é de 2013 mas parece bem mais antigo. Um verdadeiro regresso aos tempos de Gianni Versace, génio fundador da casa Versace em 1978, mas eu pouco ou nada sabia desta história.

Foi uma feliz (e chocante) surpresa saber o percurso da Versace até aos dias de hoje e não sei como andei distraída durante tanto tempo. Felizmente, sabia que o filme tinha tudo para ser interessante: qualquer império tem alguma grande história empreendedora por trás, repleta de altos e baixos, enormes dificuldades e becos sem saída, tantos quantas as realizações que depois se sucedem. Eu estava certa, havia uma história forte para conhecer!

 

 

Não sei se o filme é adequado para qualquer pessoa, pois tem muitos nomes de moda que não são explicados e penso que tem de haver um mínimo de interesse no tema. Partindo desse princípio, acho que é fantástico ver os tempos da dupla Gianni & Donatella a criar (e a discordar) antes dos desfiles, de que fibra é feito um génio e de como toda a excentricidade faz parte de quem vê o mundo diferente. É bom que as pessoas “normais” tenham por vezes um bocadinho de contacto com a realidade da criação (e da vida) artística…

A minha grande surpresa foi ver o assassinato de Gianni Versace, assistir à crise de uma grande casa perante uma possível (altamente provável) queda e a determinação para fazer o que fosse possível para voltar a erguer um império de valor, honrar a memória do génio. Outras surpresas foram a herança milionária que Gianni deixou à sobrinha, o desenrolar dos acontecimentos dentro da marca, ver o impacto que a Versace exercia (e exerce) no mundo.

O filme incluía imagens reais e pudemos ver, por exemplo, a própria princesa Diana no funeral de Gianni, transtornada embora lindíssima, um mês antes do seu próprio funeral. O filme marca-nos pela brutalidade dos factos – pela brutalidade da vida.

 

 

Para quem procura uma inspiração empreendedora, vale sempre a pena ver estas histórias reais de quem persistiu e deu a própria vida para o sucesso da visão que defende. Aqui já falo de Donatella, que há dias deu um show inesquecível em Milão, prestando homenagem a Gianni Versace, agora que fez 20 anos do seu assassinato.

Conseguiu reunir as musas favoritas do irmão, as supermodels dos anos 90, e surpreendeu tudo e todos a fechar uma coleção lindíssima que celebra tudo o que é a marca Versace. Daqui a dias estará aqui no blogue! Fiquei muito feliz por ter visto o filme e, assim, ter percebido toda a dimensão à volta daquela homenagem. A moda é uma arte linda…

 

Breakfast at Tiffany’s

Este filme é um clássico com tanto significado que até custa fazer-lhe um comentário, porque nunca vai tocar nos pormenores e beleza intangível de uma obra como já não há nem poderão haver iguais.

Para começar, este filme é a atriz, é impossível negar e há que começar por aí. Audrey Hepburn é considerada a terceira maior lenda feminina do cinema mundial e isso resume já muito do que queria dizer em relação ao filme. Ícone incontornável de estilo e carisma, também foi uma notável atriz premiada, com inesquecíveis representações e marcas imortais nos anos dourados do cinema e Hollywood, e ainda ficou conhecida pelos seus incansáveis trabalhos humanitários.

Audrey Hepburn marcou o cinema pela sua delicadeza de representação única, ao mesmo tempo que ainda ganhou o prémio de atriz mais bonita de toda a história.

O filme está inevitavelmente ligado à moda, sem ter absolutamente nada a ver com moda. O nome sugere-nos imediatamente que vamos ter pormenores de luxo, ou desejo de luxo, seja o que for, sabemos que o exuberante vai estar presente.

Neste caso, a personagem principal, Holly Golightly, sonha casar com um milionário e ao longo da sua (solitária) jornada encontra conforto diário nas jóias e ambiente atencioso, luxuoso e feliz que se vive na Tiffany’s – para quem não conhece, uma das mais emblemáticas marcas de jóias de luxo nos EUA, um dos pontos mais marcantes em Nova Iorque. Quem nunca reparou nos filmes americanos, no sonho de receber um anel de noivado vindo na caixinha azul da Tiffany’s?

 

 

Se o nome “Tiffany’s” já representa um sonho (que pedidos de casamento lindos se fazem em frente àquela porta mítica), neste filme dos anos 60 pode ter sido o eternizar dessa referência. Holly era uma socialite que tinha fugido da pobreza e miséria, ao mudar-se para Nova Iorque na adolescência, em busca de um futuro dourado como atriz em Hollywood. Para isso ambicionava encontrar um homem rico e nesse percurso investia em festas e looks de qualidade.

Não tendo meios para ter muitos vestidos, eram os acessórios que brilhavam neste filme, pois permitiam diferentes outfits com a mesma base – um simples vestido preto dava para muitas versões vencedoras. Brincos exuberantes e colares de pérolas, chapéus distintos e luxuosas luvas faziam qualquer roupa simples brilhar. Além disso, os vestidos usados por Audrey Hepburn tinham assinatura de um amigo especial: Humbert Givenchy. O filme não tinha tudo para dar certo?

Breakfast at Tiffany’s recebeu cinco nomeações para os Óscares, duas para os Globos de Ouro e cinco para os Grammys, em 1961. O filme eternizou os anos 60 e Audrey Hepburn eternizou Givenchy.

 

 

 

[Deixo esta cena icónica, de abertura do filme, para que não resistam a ir ver o resto]

Ao figurino inesquecível do filme, junte-se uma história de amor – que a protagonista tenta negar até ao último minuto, dado que o amor real vai contra todos os seus planos de vida -, uma simplicidade e graciosidade únicas na produção e representações de alto nível. O resultado é uma comédia que fica na história, com uma qualidade insuperável nos dias de hoje. O filme ganhou dois Óscares para a música (linda linda) que marca esta obra e que Audrey eterniza num belo momento do filme (partilho no fim), que lhe valeu também nomeação para melhor atriz.

Muito mais poderia ser dito sobre uma obra clássica e intemporal que se transformou em referência de moda, mas o melhor mesmo é ver o filme e saborear duas horas de anos dourados de Hollywood… E em seguida controlar a vontade de procurar todos os filmes dos anos 50 e 60, em especial os que Audrey Hepburn protagoniza. Partilho uma série de imagens deste filme, que já deviam estar no Trendy Lisbon há bastante tempo :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui deixo a música que ganhou dois Óscares, em 1961 ❤

 

E vocês, já viram algum destes filmes? Alguma história vos inspirou particularmente?
Partilhem comigo filmes sobre moda que sejam uma dose de motivação, vou querer vê-los todos :)

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