A Palavra do Ano – E a Minha Para 2017

De certa forma, adoro as palavras do ano passado. Digo no plural porque gostei da escolha para palavra vencedora do primeiro lugar, mas ainda trouxe uma das finalistas como a minha favorita. Vamos a elas?

“Post-truth” foi eleita a palavra de 2016. Para muitos já não é novidade (em fins de novembro já se sabia o resultado), mas neste início de ano é importante olhar para trás e fazer alguma interpretação, tirar conclusões e avançar a partir daí. A palavra pode parecer estranha, mas é, de facto, o reflexo perfeito daquilo que estamos a viver nos nossos tempos e de que é preciso falar. Post-truth, ou pós-verdade, é um conceito que já conhecemos há uma década mas que se acentuou como nunca neste ano que passou, com realidades com o seu quê de inacreditável, como o Brexit ou a recente eleição do Presidente Trump, nos EUA.

O pós-verdade significa, então, que os factos são cada vez mais ignorados e abafados pela opinião pública, que tem total preferência por histórias paralelas. Ao mesmo tempo, significa que a opinião pública é maioritariamente formada por apelos e manobras de diversão, em vez de se basear em factos e nas realidades à frente do nosso nariz. Ou seja, os factos objetivos perdem para os apelos à emoção, quando falamos de criar opinião pública. Isto é muito mais grave do que parece, algumas consequências já estão à vista e a tendência é o agravamento geral. No entanto, sendo este um termo político (e mesmo sendo muito representativo de 2016), este não é o meu favorito do ano e pelas imagens fofinhas que hoje acompanham o post percebem que não foi disso que vim falar:

 

 

 

 

 

 

 

Uma das palavras finalistas como palavra do ano foi o hygge dinamarquês. Para quem não conhece, é um termo único daquela nação, sem tradução e usado para um ritual que parece que só eles sabem genuinamente fazer (porque lhes é inato), embora todos tentemos cada vez mais replicá-lo – e daí a palavra estar cada vez mais na moda. Digamos que é como a nossa palavra saudade (sem tradução), que todos neste mundo podem sentir, mas parece que apenas nós sabemos mesmo o que significa e como nos distingue.

Assim, existem várias traduções possíveis para a palavra hygge, como “o aconchego da alma” ou “a intimidade do lar”. Posso dizer que o hygge não é mais do que um ritual de conforto, mas ao mesmo tempo tenho de dizer que é muito mais do que isso. É um estilo de vida, difícil de colocar em palavras porque difere consoante a pessoa e circunstâncias – tanto se pode referir a um aconchegante momento de tomar um chá junto à lareira, como a leitura de livro com uma manta e um ambiente de luz baixa, com velas, como pode ser o simples contemplar da neve na rua com uma música agradável a tocar.

Pode ser um momento a sós ou com companhia, porque também consiste bastante em convidar pessoas próximas para um prolongado lanche em casa, entre gargalhadas e ambiente acolhedor. Esta palavra está muito ligada ao calor humano e a essa comunhão entre amigos e família.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O conceito de hygge é, muito resumidamente, cuidarmos da nossa alma, tirarmos tempo para esses mimos a nós próprios, pois desse bem-estar advém a felicidade. É investirmos tempo em sermos bons para nós e para os outros; é criar espaços de pausa e contemplação, espaços de partilha, espaços de despreocupação. A filosofia do hygge implica deixar todos os problemas fora de casa, onde está a tempestade e a escuridão (os dinamarqueses têm 4 horas de sol diárias durante o inverno) e aproveitar o conforto do lar, de preferência com convidados – é uma prática regular: convidar sempre família e amigos no regresso a casa e fazer agradáveis reuniões em ambiente acolhedor.

Estes são rituais que os dinamarqueses aplicam com naturalidade, pois dizem ser inato e é só assim que sabem estar: a promover naturalmente momentos de convívio e de bem-estar, momentos intimistas e de conforto da alma, porque não sabem sentir-se de outra forma – ou não estaríamos a falar do povo mais feliz do mundo! Outra coisa natural para eles é que afastam destes convívios (e dos momentos a sós também) as tecnologias e outras distrações paralelas, que não lhes permitem desfrutar do momento ou das pessoas com a mesma qualidade. Isto não é uma regra ou obrigação, apenas um comportamento que lhes é natural e lógico e que a meu ver nos faz tanta, mas tanta falta. Eu voto na propagação deste lifestyle :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hygge é um dos segredos da felicidade dinamarquesa e por este motivo anda a chamar cada vez mais a atenção. No entanto, tudo isto vem sobretudo da mentalidade e cultura do país, que agradavelmente aproveita quaisquer circunstâncias em vez de potenciais frustrações ou mau-humor, como seria de esperar em países com tanto frio e horas de noite escura. Eles não só aceitam esta condição com naturalidade, como criam rituais de conforto à volta dos seus dias e são felizes com isso. O país propicia a este recolher da alma junto de quem mais se gosta, o escuro e o frio assim o pedem. No entanto, ao ver estes rituais felizes, não concordamos que a prática se adequa a todos nós?? :)

Não vale a pena responder, porque o resultado está à vista e nota-se na popularidade crescente desta expressão, cada vez mais adotada por todo o mundo e implementada nos nossos lares. Aplicar o hygge é saber tirar tempo para momentos de prazer sem culpas, num mundo cada vez mais apressado. É saber criar um ambiente de conforto, partilha, conexão (da verdadeira) e bem-estar. É um aconchego, um refúgio. Enfim, não há tradução! Mas podem ver muito mais sobre este conceito com através de pesquisas no google, vale a pena espreitar porque é uma delícia.

Vamos ser muito mais hygge em 2017? :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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3 Comments

  • Sofy says:

    Tão tu!!!
    Desconhecia a palavra e adorei descobrir o seu significado.
    Adoro o Hygge, todos nós precisavamos mais dele nos nossos dias – tanto sós como acompanhados!

  • Paulo Rodrigues says:

    Teria tanto para dizer sobre a palavra do ano mas prefiro hygge, muito hygge :D

  • Maria Aurora Pessegueiro says:

    Adorei, depois de ler cheguei à conclusão que para ser feliz 😊, não precisamos de muito, basta termos um pouco de tempo para bebermos um chá ☕️ com uma boa companhia, amigos de coração ❤️. Obrigada 😊 Isabel