Oscars 2019 – The Report

Passou-se uma das minhas cerimónias favoritas do ano inteiro e com duas alegrias extra este ano: em primeiro lugar, em termos de moda, os Óscares voltam cada vez mais ao clássico de Hollywood: vão buscar e adotar referências de estilo (incluindo jóias e cabelo) das mais reconhecidas musas de sempre na indústria do cinema e trazem de volta aquela elegância e glamour de outros tempos e que tanto nos diz ao coração!

O caso deste ano não foi assim tão visível, não tanto como por exemplo foi nos Globos de Ouro, porque ao mesmo tempo também se arrisca cada vez mais – e ainda bem, é sinal de evolução e modernidade -, mas veja-se o look de Lady Gaga, que nos transporta de imediato no tempo, com um conjunto bem ao estilo old Hollywood, num clássico vestido preto de cauda, sem alças e em combinação com as longas e elegantes luvas e uma absurda jóia ao peito que nos prende o olhar. O complemento perfeito? O penteado, totalmente tirado de outra época.

Mas, no final de contas, o vestido tem aquele twist na cintura só para nos lembrar que é uma versão século XXI, não é uma cópia fiel dos clássicos – e, já agora, que é Lady Gaga que está dentro dele. Ainda assim, fez-nos recuar no tempo e sentir aquela nostalgia do ‘verdadeiro Hollywood’… E fez surgir de repente nomes de grande peso, ao lembrar uma mistura de diva entre Audrey Hepburn e Marilyn Monroe, mas só mesmo pelo look escolhido, porque a última pessoa viva que poderia imaginar para colocar ao lado de Audrey Hepburn (para mim a mulher com mais classe, coração e elegância de sempre neste planeta) seria Lady Gaga.

Mas a verdade é que, pelo menos no penteado, há semelhanças evidentes:

E no caso desta jóia…

Muito poderia dizer, porque é cheia de história, e é incrível como Lady Gaga conseguiu aceder a preciosidade, mas decerto antevia esta noite como um momento-chave na sua própria história, que acabou por ser eternizado com uma jóia sem igual.

O colar que Lady Gaga levou ao peito tinha como pedra principal uma das jóias mais emblemáticas da Tiffany & Co, que até tem nome próprio há várias décadas: the Tiffany diamond. É o maior diamante amarelo no mundo e esta foi a terceira vez (na história) em que a peça teve uso.

A última vez em que foi usada foi no ano de 1962 e exatamente por Audrey Hepburn, para as imagens de promoção do filme Breakfast at Tiffany’s. A primeira vez em que a jóia foi usada já remonta a 1957, num distinto baile da própria Tiffany & Co. Nos Óscares de 2019 foi a primeira vez que “o diamante Tiffany” esteve numa red carpet.

 

 

The yellow diamond was first discovered in South Africa in 1877
and acquired by Charles Lewis Tiffany a year later for a reasonable $18,000. From there, the stone was brought to the jewelry house’s chief gemologist who supervised as the stone was cut into a cushion-cut with 82 facets (by comparison, a typical cut has 58). Since then, the diamond has traveled the world at various jewelry fairs and museum exhibitions—and now, the neck of Gaga.”
– W Magazine

 

 

Depois desta breve história, resta constatar que foi um complemento estrondoso para o vestido clássico e (ao mesmo tempo) irreverente de Alexander McQueen que Lady Gaga levou. O diamante de 128,54 quilates vale hoje 30milhões de dólares – embora a marca que o detém realce que o verdadeiro valor da pedra é incalculável – e ainda foi aplicado num colar com outros 100 quilates de diamantes brancos. É caso para dizer: priceless red carpet moment!

 

 

Com estes pormenores marcantes, Lady Gaga eternizou uma noite inesquecível, tornando-se na única pessoa na história a ganhar um BAFTA, um Globo de Ouro, um Grammy e um Óscar no mesmo ano.

 

 

Voltando a esses momentos de passadeira vermelha que nos fazem relembrar outros tempos e grandes nomes, o caso do par Rami Malek e Lucy Boynton foi dos mais falados, nesse sentido de nos remeterem para as escolhas mais clássicas, de uma noite de bailado ou de ópera. O loiro platinado no cabelo da atriz, bem à estrela de cinema, com as suas ondulações perfeitas fez lembrar novamente a diva Marilyn Monroe.

A escolha do vestido off-the-shoulders, as jóias Cartier e o smoking de três peças eleito por Rami Malek foram o remate perfeito neste momento de vintage Hollywood.

 

 

 

 

Mais um par de escolhas certeiras numa noite que fica para sempre nas suas vidas, dado que o ator foi distinguido entre todos os seus colegas, no âmbito do filme que ambos protagonizaram: Bohemian Rhapsody.

 

 

 

 

 

 

Spike Lee também ganhou finalmente o seu primeiro Óscar,
tal como havia garantido que ia acontecer :)

Ao receber a distinção de Best Director, com o seu BlacKkKlansman,
que conta a história de um polícia (nada branco) que se foi infiltrar no Ku Klux Klan, o cineasta deixou uma das mensagens mais diretas da noite:

“The 2020 presidential election is around the corner.
Let’s all mobilise. Let’s all be on the right side of history.
Make the moral choice between love versus hate.

Let’s do the right thing. You know I had to get that in there.”

 

A nossa rainha intempestiva de The Favourite também nos deu a alegria de dar o prémio de melhor atriz a Olivia Colman. Um prémio merecido, num filme em que qualquer das atrizes o podia ter ganho. Para mim, é mesmo a altíssima qualidade das suas representações que acaba por colocar o filme entre os melhores do ano.

 

Melissa McCarthy, também nomeada para melhor atriz,
fez uma paródia com o The Favourite e também saltou diretamente para os melhores momentos da noite.

Ao apresentar o prémio para o melhor guarda-roupa, foi vestida numa espécie de caricatura de Queen Anne, personagem que mais tarde na cerimónia ganharia um Óscar. Já agora, o filme também merecia muito ter ganho este prémio, mas os concorrentes eram mesmo todos de peso!

 

E o melhor será parar de recapitular tantos momentos dos Óscares de 2019, porque nada se equivale ao assistir da cerimónia. Para lhe fazer justiça, ficávamos aqui todo o dia :) nem vou passar pelo “momento Shallow”, que todo o mundo já viu em TV ou online, e que gera tanta conversa superficial num não-assunto, ao mesmo tempo que deixam assim escapar o essencial: a qualidade da música que ganhou o prémio deste ano na sua categoria.

Por último, só falta mesmo partilhar a segunda alegria extra que tive com esta cerimónia, que foi a de ter ganho o meu filme favorito entre todos :))) finalmente, porque nos últimos anos nunca ganhou um que eu adorasse. Desta vez já tinha metido todas as “minhas” pessoas a ver o Green Book, mas não estava assim tão positiva de que ganharia. Este reconhecimento foi mais do que merecido e fico feliz por saber que quem não o tinha visto vai agora procurar conhecer esta história.

 

 

E falta-nos espreitar as minhas presenças favoritas da passadeira vermelha, a lista final de premiados, os momentos mais marcantes do evento deste ano e…

A mensagem mais inspiradora da noite antes de tudo isso:

“If you are at home and you’re sitting on your couch and you’re watching this right now, all I have to say is this is hard work.

I have worked hard for a long time and and it’s not about winning.
What it’s about is not giving up.

If you have a dream, fight for it.
There’s a discipline for passion: it’s not about how many times you get rejected or you fall down and get beaten up, but how many times you stand up, and are brave and you keep on going.”

– Lady Gaga

A quem este discurso tocou, sabem-no porquê. Aliás, ano após ano, os discursos dos vencedores têm uma mensagem muito forte por trás que só quem também atravessou “a jornada do herói” consegue apreender e, da mesma forma, parece sempre um agradecimento super-cliché para todo o restante público. Para quem ainda atravessa a tal jornada, são ainda mais inspiradoras estas palavras – e são normalmente para esses que elas se dirigem.

No caso de Lady Gaga, dirigiu-se também para quem pensa que se vai ali parar por sorte ou por um talento incrível com que se nasce e depois é só cantar e ter vida de luxo (ah ah ah), quando na verdade andam por aí sempre tantos talentos em tantas áreas mas o sucesso dá tanto trabalho e muita humilhação à mistura… No fim, é sempre mais fácil o esconder atrás de desculpas. E isso inclui o pensar pouco de quem chegou ao topo.

É por isso que estes prémios serão sempre tão importantes e em todas as áreas, para homenagear quem continuou sempre a batalhar. Mesmo sem saber se no fim ia dar tudo certo. Este prémio nunca será pelo valor dos 500€ da estatueta em si, mas por ela dar o reconhecimento eterno aos melhores. Porque todos nós trabalhamos para deixar uma marca no mundo. Qual seria o sentido se assim não fosse?

Aqui fica a lista dos melhores entre os melhores deste ano
na sétima arte:

 

Documentary

Free Solo
Jimmy Chin and Elizabeth Chai Vasarhelyi

Actress in a Supporting Role

Regina King
If Beale Street Could Talk

Makeup and Hairstyling

Greg Cannom, Kate Biscoe and Patricia Dehaney
Vice

Costume Design

Ruth E. Carter
Black Panther

Production Design

Hannah Beachler and Jay Hart
Black Panther

Cinematography

Alfonso Cuarón
Roma

Sound Editing

John Warhurst
Bohemian Rhapsody

Sound Mixing

Paul Massey, Tim Cavagin and John Casali
Bohemian Rhapsody

Foreign Language Film

Alfonso Cuarón
Roma

Film Editing

John Ottman
Bohemian Rhapsody

Actor in a Supporting Role

Mahershala Ali
Green Book

Animated Feature Film

Spider-Man: Into the Spider-Verse
Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman

Animated Short Film

Bao
Domee Shi

Documentary Short Subject

Period. End of Sentence.
Rayka Zehtabchi and Melissa Berton

Visual Effects

Paul Lambert, Ian Hunter, Tristan Myles and J.D. Schwalm
First Man

Live Action Short Film

Guy Nattiv and Jamie Ray Newman
Skin

Best Original Screenplay

Nick Vallelonga, Brian Currie, Peter Farrelly
Green Book

Best Adapted Screenplay

Spike Lee, Sean McKittrick, Jason Blum, Raymond Mansfield, Jordan Peele
BlacKkKlansman

Original Score

Ludwig Goransson
Black Panther

Original Song

Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, and Andrew Wyatt
“Shallow” – A Star Is Born

Best Actor in a Leading Role

Rami Malek
Bohemian Rhapsody

Best Actress in a Leading Role

Olivia Colman
The Favourite

Best Director

Alfonso Cuarón
Roma

Best Picture

Green Book

 

Avançamos com a passadeira vermelha com o meu look favorito da cerimónia:
Nicholas Hoult em Dior

E o grupinho espetacular que se formou só para o The Favourite? ♥♥

 

 

 

Dava prémios a todos…

Mas saltamos mesmo para a red carpet,
A registar mais uma noite de glamour e celebração do trabalho de excelência e talento em

Hollywood

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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