Not Your Ordinary Sunday

Chega mais uma inspiração de fim de semana, mas este é um domingo muito especial porque é dia de Eleições Europeias. Numa altura em que a Europa está tão frágil e vive talvez a fase de maior desacordo de sempre desde as grandes guerras, precisa de nós mais do que nunca para contribuir para a união daquele que é o nosso único conforto quando as maiores nações do mundo começam a entrar em guerrinhas para ver quem é o mais forte e quem sai como líder.

Esse nosso conforto sempre foi e deve continuar a ser a União Europeia. Enquanto outros andarem à batatada e a tentar medir forças, nós sentimos sempre que aqui estamos todos juntos e mais seguros por isso. Somos mais fortes por isso. E é algo de tão valioso que não podemos correr o risco de o perder.

Numa fase em que há crescentes desacordos, começa a passar por muitos países a ideia de ir saindo e este grupo corre o risco de perder membros. Algumas nações muito fortes continuariam a sê-lo mesmo sozinhas, mas veja-se o nosso tamanho, por exemplo, imaginando Portugal de repente sozinho. E os nossos números – dos mais vergonhosos de todo o continente, em tudo. Precisamos que esta Europa continue unida durante muito e muito tempo e cada vez mais recupere a sua solidez.

Além disso, algumas das mais importantes decisões ao nível de cada nação decidem-se lá fora e ficam fora das nossas mãos as grandes questões que têm a ver com variadas leis determinantes, taxas de juro, regras a todos os níveis, dinheiro a circular, políticas para as alterações climáticas, as migrações, etc! É por isto que é da maior relevância termos lá bons representantes a olhar pelos nossos interesses. E hoje vamos eleger 21. Mas isto é o que já toda a gente sabe sobre este dia.

75% da nossa vida cívica é influenciada pelas políticas europeias
Educação – Direitos Sociais – Políticas de Juventude – Direitos Humanos – Ambiente – Cultura – Mobilidade – Economia – Liberdade e Direitos Cívicos – Etc.

Não sei o que leva uma pessoa nos dias de hoje a escolher deliberadamente não ir votar – ou esconder-se atrás de uma desculpa, que é exatamente a mesma coisa. Até porque, hoje em dia, simplesmente não há desculpa. O único motivo é o desinteresse total.

Porque quem sabe que vai estar fora do país usufrui do voto antecipado;
Porque quem tenha algum compromisso neste dia ou passe o fim de semana fora, volta a casa perfeitamente a tempo (ou faz por isso) para ir votar.

Em fim de semana de eleições, todos os planos para esses dias são feitos tendo em conta o ato eleitoral e isso não é novidade. Se há um batizado, vota-se cedo e segue-se viagem. Se é um dia de praia, tudo tranquilo, vota-se primeiro, aproveita-se em seguida. Seja qual for o plano para um fim de semana de votos, ele é feito em torno do nosso dever cívico.

Até o próprio percurso de ir votar nos dá outro sentido de comunidade e de cidadania que se torna num pedaço de lazer no nosso dia. Nos últimos anos, independentemente da escolinha que me tem calhado para ir colocar o meu voto, forma-se uma espécie de mini peregrinação de grupos, cada pessoa entre os seus pares, vindos de todos os lados do bairro, e dirigimo-nos todos ao mesmo destino: a nossa contribuição civil desse dia.

Ali dentro se formam depois as pequenas filas para cada sala de aula e vemos caras conhecidas – pois é o nosso bairro, ou pelo menos a nossa cidade -, encontramos amigos à saída, usufruímos da sensação de dever cumprido, começamos o dia a partir daí. Não consigo imaginar o nível de infoexclusão para se deixar de lado o voto num dia como o de hoje, e deixar por opção os resultados em mãos alheias.

É um viver muito à margem da sociedade e, acima de tudo, viver (“viver”) exclusiva e cegamente em torno do próprio umbigo para hoje nem ter interesse em fazer parte desta decisão coletiva. Felizmente está a sair do forno uma nova geração, com maior atenção e participação, que poderá vir ajudar a acordar algumas destas pessoas, para que tenham um dia a inteligência superior de reconhecer que andaram distraídas durante toda a sua vida (nunca é tarde!).

Essas pessoas andam alheadas da vida, aos saltinhos entre distrações com o que não interessa, que são os prazeres momentâneos para diariamente fazer esquecer ou adiar o que deviam estar a construir. No fundo, é ir disfarçando o vazio da falta de propósito e objetivos que têm para a própria existência.

É essa ausência de conquistas e concretizações pessoais que torna a pessoa vulnerável a todas as tentações diárias: é o vazio interior que busca por elas. E as tentações tornam-se numa droga. E quem vive assim, ou o descobre rapidamente e começa a corrigir, ou fica para sempre, por opção, nessa ilusão, mas nunca toca na vida e no fim descobre que tudo o que fez foi disfarçar e criar desculpas para si próprio… Sobre tudo o que não teve coragem de empreender.

Sim, este é também um dia perfeito para reflexão! ♥
E usando a metáfora de um dia muito especial de Eleições Europeias, primeiro parámos sobre o dever e agora passamos para o lazer. Com a maravilhosa Elle Fanning numa edição quente de Porter Edit desta primavera. Inspiração perfeita de domingo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

No Comments