Into the Movies

2019 começa glorioso e cheio de vida. O facto de termos os Globos de Ouro logo ao dia 6, assim a abrir o ano com todo o brilho e glamour e a celebrar as artes da melhor forma, só dá outra aura a esta primeira semana! Chega tudo assim muito cedo e os próprios Óscares em fevereiro soam estranho mas é fan-tás-ti-co não ter de esperar tanto este ano por mais essa cerimónia. E os Golden Globes já esta noite… Entusiasmo total :)

Para também celebrar esta ocasião, e até para celebrar o grande ano novo, nada como começar a falar sobre cinema. Tenho alguns filmes que gostava de aproveitar para partilhar, mas não porque tenha adorado ou os recomende muito. Hoje partilho-os mais porque alguns deles estão “na mesa” nesta época dourada de prémios e aproveito para dar a minha opinião muuuito pessoal sobre o que já tive oportunidade de ver com todo o carinho e dedicação que produções desta dimensão merecem.

Adoro também estes posts para troca de ideias, porque é claro que posso gostar ou não de filmes que outros sintam ou interpretem de forma diferente. Já estão também totalmente de olhos postos nesta febre dos prémios deste ano? Ainda tenho muito por ver dos melhores da atualidade, mas também tenho visto muita coisa além destes que trago hoje, além de que não posso despejar isto tudo aqui de uma vez, portanto… Aqui fica um pouco do que gostava de partilhar. Em 3, 2, 1…

 

 

 

First Man

Um dos que mais vou acabar por aconselhar desta lista de hoje.
Talvez por ser dos únicos que fui ver sem grandes expectativas, o que na verdade é sempre um bom presságio para terminar o filme mais satisfeitos com o tempo investido na nossa escolha. Neste caso, correu bem: o filme conta a história do primeiro homem do nosso mundo a pisar a lua, numa perspetiva pessoal de luta, sofrimento e capacidades individuais únicas que tinham mesmo de ser aplicadas para algo de grande valor, algo que ficasse na história, e foi assim que acabou por ser.

Durante toda a história somos levados para aqueles tempos, através das roupas, das músicas, da própria imagem… Acho que tudo à volta deste filme está muito bem feito, ao pormenor, e pensei logo para mim, mesmo estando a ver o filme em outubro, que o nível da produção o levaria para prémios como os Óscares, e neste momento já está com duas nomeações para os Globos de Ouro desta noite! Claire Foy está nomeada para melhor atriz secundária, na melhor fase de sempre da sua carreira, e ainda vemos First Man com uma nomeação óbvia para melhor banda sonora original.

Fico a torcer por este filme, porque é preciso estar muito bem feito para nos passar um pouco da noção de sacrifício e glória de um só herói, quando na verdade temos de imaginar quase toda a sua história de entrega total na nossa cabeça, porque só nos mostram uma pontinha da jornada de Neil Armstrong.

Conseguimos sentir uma amostrinha do que terá sido chegar efetivamente à lua, da loucura que foi o aceitar ir, do marco histórico absolutamente genial que foi lá chegar, da sensação extrema de medo e de glória que terá sido aquele segundo em que se põe o pé no “chão” lunar. Embora, novamente, tudo o resto fique por imaginar – não caberia tudo o que aconteceu nestes processos.

Quando o filme nos passa tantas destas sensações com qualidade, entre longos silêncios e muitas sequências paradas (impróprio para impacientes), acho que está bem feito.

Vasculhei muito, muito, muito a (interessante e muito relevante) vida de Neil Armstrong depois do filme, valorizei finalmente o verdadeiro herói que tivemos entre nós, um dos maiores ídolos americanos de toda a história, e verifiquei a vida inteira de merecidos méritos e reconhecimentos que teve após a inacreditável conquista. Acho que teria aprovado este filme muito bem feito e honesto sobre os seus mais marcantes anos de vida.

 

 

 

Bohemian Rhapsody

Não sou muito atraída por filmes daqueles que, mal se vê o título, toda a gente tem de ir a correr ver. Há algo em mim que põe as coisas demasiado populares de lado, mas, neste caso, se o que estava na mesa era um filme inédito sobre a história dos Queen, e cuja banda sonora inteira era de luxo – os originais da banda -, então tornou-se sessão de cinema obrigatória e semanas antes da estreia já apontávamos a grande data e fazíamos countdown para o filme.

No fim, valeu cada segundo. Pelo recuo no tempo, pelo reviver de todo aquele percurso, pela ascensão do génio, pela maravilhosa banda sonora, que nunca é demais ouvir, pela homenagem e por tudo o que nos faz sentir o relembrar de quem foram e são aquelas lendas, individualmente e em grupo. Acima de tudo, o filme conquista-nos ao transportar-nos no tempo, para uma altura que também já foi nossa, fosse de infância ou juventude: todos somos automaticamente levados para alguma fase da vida em que os álbuns dos Queen nos marcaram.

O filme prova-nos que é bom quando voltamos para casa completamente contagiados e ficamos dias e dias a ouvir em repeat as músicas daquela que é e sempre será das maiores e melhores bandas da história da música. No entanto, não esperem assistir a um documentário detalhado do percurso dos Queen ou mesmo de Freddie Mercury.

Foi escolhida uma interpretação muito mais artística e espetacular da história, a tentar retratar um pouco aqueles anos 70 e 80, a origem do grupo e um pouco do que viveram, mas sem ir a fundo naquela “jornada do empreendedor” que esperamos ver em filmes destes, quando são menos espetaculares mas mais inspiradores.

Aqui era mais luzes, música e ação, com alguma da excentricidade esperada à mistura, e menos do que sentiram, sofreram ou pensaram durante todo o processo – embora isto também exista, como é óbvio, mas em menor dose que o esperado para um filme que é biográfico. Lá está, não era um documentário.

Se também gostarem para sempre de Queen, este é mesmo para ver. Ainda temos o bónus da interpretação incrível de Rami Malek, que já está na corrida para melhor ator nos Globos de Ouro de 2019, e merece muito que o filme seja visto também por causa dele.

Também fiquei incrédula com a parecença incrível do ator que faz de Brian May, Gwilym Lee, com o guitarrista quando tinha a mesma idade. O facto de ter estudado a fundo todos os olhares, postura e fala, mais o plus da caracterização, só o faz mesmo tornar-se numa réplica perfeita do artista! Roger Taylor não teve a mesma sorte e só queria que tivessem arranjado um ator que lhe fizesse mais justiça… Mas tudo ótimo na mesma :)

Bohemian Rhapsody nomeado para melhor filme esta noite!
A não perder.

 

 

 

Before I Fall

Fazemos uma pausa nos filmes atuais? Este não é de 2018, mas de 2017, e foi tão falado que também o partilho aqui. Trata-se originalmente de um livro best-seller que foi adaptado a filme e que acho que vale a pena ver, porque tem uma mensagem relevante e passa-a de forma positiva, num filme quase adolescente, mas que é relevante.

Além da história muito bem pensada e maravilhosamente montada, da mensagem que consegue passar e imagem bonita, ainda destaco a atriz que dá vida à protagonista do filme, que para mim é talvez o maior trunfo para o resultado final.

Before I Fall é a história de uma teenager e o trágico dia em que vai morrer. Acontece que ela acaba por viver esse mesmo dia vezes sem conta, até que começa desesperadamente a tentar perceber que mensagem tem de tirar daí, o que é suposto fazer para pôr um fim naquele ciclo paranóico e já insuportável. Alguma coisa tem de estar a fazer mal, para viver repetidamente as mesmas cenas… E começa a perceber que a cada decisão diferente o mesmo dia acaba das formas mais variadas, para ela e para todos os outros.

Afinal de contas, o pouco que cada um de nós decide fazer em cada momento tem mesmo impacto no resto.

Samantha Kingston, uma adolescente de 17 anos que é popular, bonita e que parece mesmo ter tudo, encontra no seu último dia de vida a oportunidade para resolver uma série de coisas que não fazia ideia que deviam ou podiam ser resolvidas.

O filme fala de um eterno assunto que, como humanos, vai resultar sempre connosco: segundas oportunidades. Mas também toca em temas sensíveis da adolescência (e não só), como a violência, bullying, mentiras, suicídio, festas e exageros, tudo o que se pode prever num filme deste género, mas sendo ao mesmo tempo leve e imprevisível.

O adjetivo “leve” já pode ser relativo, tendo em conta que em várias partes do filme eu ainda tive medo que se tornasse assustador… Mas era só o meu lado super mariquinhas a falar (sou aquela que não consegue ver seja o que for de terror) e o filme tem simplesmente o peso necessário para darmos importância à história.

Também vale a pena pela banda sonora e pela mensagem de fundo ser sempre positiva, em vez de óbvia e demasiado crítica. Para quem quiser ver a linda e promissora atriz Zoey Deutch a brilhar fora do vídeo mais popular de Ed Sheeran, é ver este filme que não será tempo perdido.

 

 

 

A Star Is Born

A Star Is Born vai pagar neste comentário pelas minhas altas expectativas. Vi na altura da estreia e por isso nada tinha a ver com as opiniões de terceiros, mas sim da avaliação de críticos de cinema, de todos os anúncios que via sobre o filme, das entrevistas aos atores quando andavam a promover a estreia à volta do mundo…

Esperei que ele chegasse para o ver, já conhecendo as músicas e peripécias das gravações, antes sequer do filme aterrar no nosso país. Depois de ver o filme, achei pobre em relação ao que esperava e que o forte de todo “o pacote” era mesmo só a música.

Quando me concentro a ver filmes destes, tenho a fasquia elevada porque a música já faz metade do trabalho sozinha e dá automaticamente muita emoção a tudo o resto, é quase qualidade garantida. Quando é um filme baseado em música, é muito fácil de emocionar o público e de fazer-me passar o tempo inteiro com pele de galinha. Mas, neste caso, e mesmo apesar de todo o drama da história, não achei que fosse assim tão forte e muito menos surpreendente – não era preciso chegar sequer a meio do filme para já adivinhar como ia acabar, infelizmente.

Não quer dizer que todos os filmes têm de ter uma enorme reviravolta no fim e deixar-nos perplexos de choque para terem qualidade (até bem pelo contrário, porque acho a simplicidade brilhante), mas neste caso revelou-se uma história algo básica com grandes atores, e que me deixou com apetite por mais. As músicas mereciam e a qualidade da realização também.

Achei que tudo tinha potencial para muito mais, mas ficou só a meio. Enfim, vou pôr parte da culpa na minha expectativa! Para não desentusiasmar quem o queira ver.

O filme tem muitos fãs e ainda conta com uma série de nomeações para os Globos de Ouro. Esta noite pode mesmo ganhar o prémio de Best Motion Picture! E Bradley Cooper ainda está nomeado para melhor ator – mas por mais deliciosamente que tenha cantado não deve superar a interpretação de Rami Malek – e para um fantástico Globo de Ouro de melhor realizador, logo na sua estreia, espetacular… Só por este reconhecimento já está mais do que de parabéns.

Mas tenho de ser honesta e pessoalmente não recomendo assim tanto estas duas horas de cinema. Eu, pelo menos, não tenciono voltar algum dia a ver o filme.

 

 

 

Beautiful Boy

É bom comentar estes dois filmes de seguida, porque este foi mais um em que me enganei pelas altas expectativas, embora considere as duas situações muito diferentes. Era para ser o meu primeiro filminho de Natal (porque era fim de novembro e porque, para mim, Natal é altura de assistir a grandes e emocionantes produções de cinema), mas saiu-me a aposta um bocadinho ao lado.

Ao contrário de A Star Is Born, achei este um produto muito melhor e de muito maior profundidade. Acho que nem têm outra ponta de comparação além do tema das minhas expectativas, porque o outro filme é de um estilo mais comercial, para apelas às massas, e este será tudo menos isso.

Começa logo por ser uma história verídica, com pai e filho como protagonistas, e baseado na autobiografia de cada um deles. Logo aqui poupo alguns parágrafos de elogios de como este filme nos pode passar um sentido de realidade sobre o drama que é quando a droga entrar pela porta de qualquer família, rica ou pobre, estruturada ou não. Algo que acontece quando ninguém o pode esperar e a dor do processo certamente só sabe quem o passa. É sobre a dependência química de metanfetamina que se desenrola toda a história.

Estes filmes são importantes como alerta para aquilo que ninguém quer viver, mas sinceramente pensei que a mensagem fosse passada de forma mais forte do que aquilo que acabou por ser. Eu julgava que qualquer jovem sairia transtornado da sala de cinema que passasse esta experiência específica de Nic Sheff, mas acabei por constatar que quem sai verdadeiramente tocado com o filme são os pais ou adultos, que mais são impactados com a história.

Acho que será mesmo esse o público-alvo do filme (embora, obviamente, ele seja para todos), quando eu estava mesmo convencida de que o objetivo era tocar na ferida de que “a droga é má, nunca vás por esse caminho” e todo o drama desnecessário e muito evitável que se vive com este tipo específico de substâncias nos Estados Unidos, ainda nos dias de hoje. Um dos objetivos era mesmo o de passar a mensagem de que isto não é coisa do passado, morre-se realmente disto todos os dias, famílias inteiras destroem-se com este grave problema.

Concluindo, a culpa da minha desilusão está na falsa expectativa que criei, embora infelizmente continue a não considerar Beautiful Boy um grande filme, totalmente ao contrário do que esperava. As representações tiveram muito a ver com isso: fui confiante de que, com os atores escolhidos, era alta qualidade garantida. Acabei por nem achar que tivessem feito interpretações brilhantes, por oposição a tudo o que tinha sido anunciado antes do filme, e foi também por aí que no fim não consegui ficar satisfeita.

No entanto, os Golden Globe Awards voltam a discordar de mim e lá está o nosso Timothée Chalamet, nomeado para esta noite pelo seu desempenho. Continuo a achá-lo fascinante e espero que tenha mais uma temporada de prémios inesquecível, mas acho que foi pessimamente escolhido para fazer de jovem totalmente “acabado”. Opiniões! Podem deixar-me as vossas :)

 

 

 

Mary Poppins Returns

Este é um filme que foi muuuuito esperado e completamente guardado para ser lançado na semana do Natal, quadra perfeita para o regresso de um grande clássico do cinema. A one&only atriz Julie Andrews deu vida e imortalizou mesmo a personagem de Mary Poppins, no filme de 1964 em que ganhou o Óscar de melhor atriz, entre outras estatuetas douradas que foram para o filme. Uma delas foi, obviamente, para a banda sonora, e foram precisos mais de 50 anos para voltar a pegar na história, voltar a fazer magia.

Com o elenco escolhido e o nível de produção de um regresso deste calibre, foi óbvio o alarido à volta desta estreia, que desde o verão andava a dar nas vistas em premiers por todo o mundo. Fui acompanhando, e quando chegou a semana de Natal também tive de ver. A eterna música da Disney promete desde o início, o encanto de Emily Blunt sossega-nos ainda mais, mas na verdade (e mais uma vez vou culpar as expectativas) a meio do filme eu já só queria desistir.

 

De onde vinha tanta fantasia, tantos cartoons, doses infinitas de magia e representação um tanto infantil, tudo assim de repente? Não sabia claramente ao que ia e as próprias imagens que vi na TV, os conselhos dos críticos de cinema… Todos me levaram ao engano quanto a ser “um filme para toda a família” ou “o filme de Natal obrigatório”.

Acabei por me questionar, durante todo o espetáculo, para que idades seria o filme: a repescagem do clássico não pode ser para crianças e os diálogos infantilizados não podem ser direcionados para os adultos… Mas percebi que, na versão dobrada para português, é um filme muito engraçado para as crianças se divertirem e sonharem durante um bocadinho em pleno contexto de Natal.

 

Acabei por ver tudo, na esperança de ainda ser surpreendida com uma enorme conclusão do filme, um fim emocionante, uma mensagem a reter, algo assim que me fizesse mudar de ideias… Mas não, aquilo era mesmo só espetáculo e produção. Ah, e o maravilhoso Colin Firth a fazer-me esquecer de vez em quando que ver aquilo estava a ser enfadonho.

Nem a Meryl Streep salvou o filme, e eu com tantas esperanças na parte dela… Digam-me, por favor, se têm outra opinião sobre este filme, porque eu acho mesmo que está a ser adorado por muitos e nisso estou à margem. Nada a dizer quanto à mega produção que é o filme, com tantas coreografias, com o replicar de outro tempo, cenários incríveis de Londres antiga (e super natalícia) como contexto de grandes danças e cantorias, o encanto dos candeeiros e iluminações… A Disney está toda ali.

A Emily Blunt também está tão bem que é mesmo o forte do filme: ela canta maravilhosamente, dança e encanta de linda que é, e está nomeada para melhor atriz esta noite. Mas, mas, mas… A história fraquita, os cartoons, o excesso de fantasia… Aqui só salva mesmo irmos aos arquivos das nossas emoções em relação ao filme antigo e vibrar com o repescar da história. Este não posso mesmo recomendar, embora seja uma opinião muito pessoal. Adorava conhecer outras :)

Seja como for, Mary Poppins Returns está nomeado para melhor filme (e outros três prémios) nos Globos de Ouro de hoje!

 

 

 

Saving Mr.Banks

Mais uma história verídica, a contar uma das mais fantasiosas de sempre. Conhecem este filme? Pois é, trata-se de todo o processo de realização e produção do clássico Mary Poppins! Mas este filme é muito, muito mais do que isso, tornando a tal produção em si até secundária. Saving Mr. Banks é um mergulhar nas mais profundas origens do filme, na real origem da história e personagem fictícia de Mary Poppins, em que entramos no próprio universo e biografia da autora da história, Pamela Travers.

Resumidamente, Walt Disney estava há vinte anos atrás dos direitos da história de Mary Poppins para a passar dos livros para a tela, como havia prometido às filhas há muito, muito tempo. Tinha-se revelado numa missão impossível, mas, em 1961, numa altura em que Travers escrevia pouco e passava maior dificuldade com royalties das suas obras, e em risco de perder a sua casa, acaba por ceder e voa de Londres para Los Angeles para a derradeira reunião com Disney.

 

Ali encontra uma familiaridade que não lhe agrada, tudo demasiado simpático e animado, muito intrusivo e pessoal, a confirmar os seus piores receios: ia ter uma longa disputa na defesa da sua história, motivo pelo qual demorou décadas a ceder – e por que foi contrariada até aos EUA.

Pamela Travers colocou limites sem precedentes a Disney, dos quais se destacavam dois: nada de animações no seu filme e aprovação final do filme a ser decidido por si. Restava saber se no fim iriam ser cumpridos… Mas durante todo o filme vemos esta luta a ser travada entre a criadora de Mary Poppins e Walt Disney, o homem mais compreensivo e positivo deste planeta.

No desenrolar da história, temos acesso à infância de Pamela Travers e a dados que ajudam a compreender a sua posição rígida em relação a certos personagens da sua história, e naturalmente em relação à adaptação da essência da história para filme.

As suas motivações acabam por ser desvendadas e Walt Disney (como sabemos!) acaba por conseguir aprovação e liberdade artística para adaptar os livros, como sempre tinha sonhado fazer, e em 1964 fez-se novamente história.

O filme é bom na medida em que conta mais uma história real, nos desvenda o que está por trás de um grande clássico e, acima de tudo, pelos atores. No total teve quatro nomeações para Globos de Ouro e Óscar, foi um dos melhores filmes no seu ano (2013), e a nomeação para melhor atriz percebe-se imediatamente. Na minha opinião, Tom Hanks e Emma Thompson são mesmo tudo neste filme e são grande parte da qualidade que se pode atribuir ao resultado final. Não desilude :)

 

 

 

I Can Only Imagine

Este filme acaba de chegar aos cinemas e fez parte das nossas sessões de cinema caseiras em contexto natalício, e desta vez posso dizer que saiu uma ótima surpresa. Depois de comentar os filmes anteriores, de altíssimas produções, investimentos de realização e marketing, vejo por comparação como este “pequeno” filme está tão bem conseguido.

Com uma produção tímida ao lado dos restantes filmes neste post, e sem atores que só pela presença garantam logo um êxito de bilheteira, I Can Only Imagine conta a história inspiradora do vocalista de uma banda cristã de elevado êxito nos Estados Unidos, conta-nos o seu duro percurso até ao êxito, mas acima de tudo conta-nos a história de uma canção, a que dá o título ao filme, e que é nada menos do que a canção cristã mais vendida de todos os tempos.

Para explicar o filme vou ter de desvendar um bocado. Ele é rico por nos mostrar a infância desafiante de Bart Millard, no Texas, e o que o levou a de algum modo isolar-se e a agarrar-se às sensações que lhe transmitia a música, tendo assim a oportunidade de desenvolver e explorar talentos e aspirações nessa área… Sem se aperceber.

Seguimos o percurso deste protagonista desde os seus 10 anos, a tentar fazer o que era suposto para agradar ao pai (jogar futebol), mas a explorar com naturalidade o seu lado artístico sempre que surgia oportunidade, culminando num papel de destaque no teatro musical da escola, onde se sentiu finalmente no seu elemento.

Mas toda uma jornada ainda estava por começar e (do nosso lado) o acompanhar a partir daí, quando o jovem Bart decide deixar a terra onde cresceu, com tudo muito mal resolvido – com a namorada, com o pai… – e parte com toda essa bagagem emocional em busca de grande sucesso.

As dificuldades que se seguem são óbvias, até ser obrigado a parar para resolver os fantasmas do passado, ficar em paz consigo e tocar finalmente na sua essência, para poder desbloquear o seu dom e provar definitivamente os seus talentos, ver tudo o que viveu e aprendeu a dar frutos, a traduzir-se numa linguagem em que tantos outros se reviam.

Depois de tantas dúvidas, sentenças de insucesso e pedras no caminho, a história mostra-nos como o sol acaba por brilhar para quem nunca desiste. Tendo em conta que isto é mais uma história verídica e muito biográfica, não pode mesmo deixar de ser inspiradora.

Para terminar, vejam a primeira coisa que se lê na Wikipédia sobre o lançamento deste filme, há menos de um ano:

I Can Only Imagine was released in the United States on March 16, 2018.
It was a massive box office success, grossing $85 million worldwide against a production budget of $7 million, becoming the fourth highest-grossing music biopic of all-time in the United States. Some critics praised it as inspiring and noted it as an improvement compared to other faith-based films, while others called it flat and by-the-numbers. At the 2018 Dove Awards, the film won “Inspirational Film of the Year”.

Não podia deixar de recomendar :)

Vamos lá agora a esta grande cerimónia dos Globos de Ouro de 2019
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