Flashy (Disrupting) Versace

Chegaram os desfiles de apresentação das coleções Men Spring/Summer 2019 e se são algo que normalmente passa mais despercebido do que as grandes coleções de mulher, Donatella Versace fez novamente questão de mudar o paradigma e faz, de repente, todo o mundo ficar de olhos postos na coleção – e inovações – que acaba de apresentar.

Uma coleção vistosa, cheia de confiança e atitude e ainda divertida, é tudo a que a marca já nos habituou, mas com a diferença de que numa coleção masculina há sempre muito maior sobriedade e uniformidade. No entanto, desta vez Donatella quis que os homens usassem o seu direito de se divertir com a moda, de a usarem para expressar as suas personalidades e de terem a oportunidade de ser eles próprios nas suas individualidades, em vez de cada um carregar todos os dias o mesmo estilo que os colegas de trabalho: um agradável e consensual fato.

Para a casa Versace, está na hora de dar espaço aos homens das novas gerações: dar-lhes as mesmas liberdades das mulheres para colocarem mais de quem são nas suas escolhas diárias. Com este desfile, surgiram também rumores de que esta coleção marca uma posição um pouco interventiva em termos políticos, de fundo feminista, por tentar colocar os homens numa posição mais vulnerável, acessível e transparente, menos protegidos pelo poker face que um elegante fato proporciona.

Embora – acrescento eu -, também as mulheres vistam roupa formal para este mesmo objetivo, sempre que o querem. Mas concordo que os homens deviam ser mais livres para se soltarem um pouco sem ficar mal vistos :)

“It’s about different kinds of men, the street style star, the high fashion man, the boardroom executive. He is a man who doesn’t care about the rules, he is not ordinary. He is a man who is looked at, talked about”
– Donatella Versace

Conceitos à parte, esta coleção, por todas estas particularidades, misturou lindamente os conceitos de streetwear e tailoring (e um bocadinho de 90’s fever), associando os estilos mais ousados possível – nas combinações, nos padrões e até nas cores – com o corte incomparável de uma marca de luxo. Para o homem que procure um estilo mais clássico, não vai ser fácil de pegar em muitas peças. A ideia geral é a de fazer combinações surpreendentes, não “porque sim”, mas das que transpareçam identidade, preferências, personalidade.

Ontem ainda foi apresentada em simultâneo uma coleção cápsula feminina, que teve como “embaixadoras” as modelos do momento: Kendall Jenner e Bella Hadid.

Ambas deslumbraram em Versace, marca que idolatram, e partilharam deste valor de esbater um pouco as barreiras entre a moda masculina e a feminina. Muitos dos modelos masculinos foram mesmo desafiados a utilizar peças e acessórios da coleção feminina e foi mais uma explosão de novidade neste desfile: as (cobiçadas) malinhas Versace que usaram nos seus looks, assim como outros acessórios roubados da coleção cápsula, fizeram as delícias da comunidade “genderless” um pouco por todo o mundo.

A mensagem está passada, e eu diria que com total eficácia. Se há certos desfiles que ficam para sempre na história e que mais tarde recordamos como “aquele que começou a viragem”, parece-me que um dia este também vai ser dos arquivos revisitados. Dos que no momento até não vemos bem o que se passou, mas décadas depois percebemos que fez o aviso, marcou a posição, abriu o caminho, rompeu com as regras e desenhou novas realidades.

Com todo este peso ou não, esta é mais uma coleção Versace que pede para ser vista e aplaudida, como sempre, cheia de estilo muito único, diversão, exuberância, personalidade e, acima de tudo, genuinidade. Trendy, lush… Flashy! Versace.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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