Big Oscars Night 2018

Demorou mas consegui trazer este post ainda antes da cerimónia! Não quis andar a falar dos filmes individualmente, então vi os que mais queria para hoje aqui estou eu, pronta a comentar uma mão cheia deles, ainda sem a influência dos prémios. Ainda devo ver mais alguns dos nomeados, mas esses ficam para falarmos depois.

A diferença destes reviews dos filmes nomeados para os Óscares para os restantes que costumo partilhar no blogue, é que destes eu falo mesmo que não os tenha achado grande coisa, falo deles porque estão nomeados e partilho sinceramente o que achei de cada um. Ao longo do ano só trago obrigatoriamente os que adorei e que aproveito para recomendar muito.

E sem mais demoras, porque o post é loooongo, aqui vamos à saga dos melhores filmes do ano. Conto com as vossas opiniões a ajudar neste dia de celebração do cinema. Mal consigo esperar por esta noite!!!

 

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

A começar logo pelo “melhor” filme. Dentro dos que vi, este é o mais consistente, o único que não tem grandes surpresas, sabemos ao que vamos porque conhecemos a história e é mesmo daqueles não desilude. O filme desafia-nos a partilhar da revolta pelo que se passou naquela pequena cidade americana (ficcional) de Ebbing e a sentir empatia pela procura desesperante daquela mãe, que não desiste enquanto a sua história não tiver um desfecho.

É claro que sentimos tudo isso e é por cumprir os objetivos que o filme vale a pena. É muito bem feito, de sequências tão perfeitas e relevantes que não damos mesmo pelo tempo passar. Todos os atores, cenários, diálogos e cenas são de qualidade, tudo um regalo para quem está sempre a procurar um filme “dos bons” para ver. No entanto, para ser o melhor filme do ano – e esta é uma visão muito pessoal -, não acho assim tão distinto.

Não há dúvida de que é muito bom, mas também o achei um bocado “normal” e fica inevitável comparar com todas as grandes histórias e produções que ganharam o Óscar de melhor filme no passado e, na minha opinião, este não é assim tão bom. Não sei se hoje em dia estaremos menos exigentes, se já não se fazem filmes tão bons, se é só uma fase ou se agora os prémios se dão com outros critérios – com influências políticas, por exemplo. Pessoalmente, não fiquei arrebatada, mas é claro que reconheço a forte qualidade, vale muito a pena e aconselho este filme a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

All the Money in the World

Este era dos filmes do ano que queria ver pelo tema abordado. Não vale a pena falar muito do filme ou estrago a história para quem não o viu, mas este fala sobre o valor do dinheiro e toda a mensagem passada é nesse sentido.

É uma história verídica, sobre aquele que, em 1973, era não só o homem mais rico do mundo, mas também o mais rico de toda a história. O filma passa-se nesse ano, em que J. Paul Getty, aquele que tem “todo o dinheiro do mundo”, vê um dos seus netos ser raptado em Roma por um grupo organizado italiano e se recusa a pagar o valor pedido para o resgate.

 

Entregar somas de dinheiro a bandidos não fazia parte a gestão muito prudente dos milhões que este magnata somava com o negócio do petróleo. O filme é, assim, uma mistura de contrastes, entre o luxo do palácio em que vive Getty e o sofrimento do jovem de 16 anos em cativeiro durante 5 meses; entre as aquisições de luxo do bilionário durante este período, enquanto continuava determinado a não pagar pelo regresso do neto.

Um filme que inspira a muitos juízos de valor, quando na verdade só cada um saberá o que fazer com o seu dinheiro, em especial se é fruto do trabalho de uma vida – e será aqui que entram as críticas e opiniões. Este é um filme que provavelmente foi feito para isso mesmo: para especularmos sobre o valor do dinheiro e andarmos a debater quem tinha razão no meio disto tudo.

 

Christopher Plummer veio substituir Kevin Spacey no papel do velho magnata J. Paul Getty e agora é o ator mais velho de sempre nas nomeações para os Óscares!

É mais do que merecido, não só pelo papel que desempenha no filme, mas também por, aos 88 anos, ter filmado todas as cenas em que tinha entrado Kevin Spacey em apenas 9 dias. Ainda assim, não deve ter hipóteses contra os polícias de “Three Bilboards Outside Ebbing, Missouri”. Ficamos à espera para ver…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lady Bird

Destes que vi, Lady Bird é o único que não entendo muito bem como pode vir a ser considerado o melhor filme. Eu gostei, e gostei muito, mas não posso achar um filme fora de série com uma história tão normal e sem grande impacto. Se não fosse a excelente produção e envolvente, a qualidade em todos os pormenores, era só mais um filme ligeiro.

Percebo bem a nomeação para melhor atriz e adoro o ambiente alternativo do filme, mas a história devia mesmo ser mais robusta, ou pelo menos eu assim esperava, porque com a nomeação elevam-se logo as expectativas :)

 

O ponto forte do filme, aparentemente, é muitas de nós nos identificarmos com a protagonista. Mas, a meu ver, isso é fácil de acontecer, porque a história dela é uma daquelas típicas dos filmes de adolescente: os desafios do percurso do secundário, a passar dificuldades financeiras enquanto se continua a lutar por sair daquele meio pequeno, a sonhar com algo maior, tentar uma bolsa, entrar numa universidade e correr atrás dos sonhos.

Pelo meio há desilusões amorosas, dramas com os pais, com a melhor amiga, com as notas, com o baile de finalistas… Todos os ingredientes típicos de um filme de sábado à tarde, mas com um elenco escolhido a dedo (que foi o que me levou a ir ver), imagens e cores muito bonitas e momentos inspiradores. Por estes últimos fatores eu não sei se estou a ser injusta, até porque gostei mesmo do filme, mas não o acho assim tão espetacular, não há uma mensagem, é um filme dos óbvios… Ajudem-me com este!! Quem já o viu que se manifeste :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*pausa para recuperar o fôlego*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Shape of Water

Este foi o último que vi, e tinha mesmo de ser, é um dos mais nomeados da história do cinema! Mas deste não saberei bem o que dizer, porque ia à espera de amar ou odiar – por todas as críticas que tenho visto, sempre muito radicais -, mas fiquei no meio. É isso, mesmo no meio. Gostei dele, mas não assim tanto (bom, agora sinto que estou a repetir-me, mas é só a verdade).

Vamos por partes: gostei da mensagem bonita do filme, que não posso revelar muito para não estragar, mas é sobre valores como o respeito, a empatia, sobre como podemos ser muito inferiores a outros que consideramos inferiores. Gostei do simbolismo de muitas cenas, dos pormenores todos bem pensados para a envolvente do filme (daí as nomeações sem fim), da música, do “vale tudo” deste filme, que nos deixa sem saber o que esperar, mas também a saber que não vai sair dali nada de demasiado descabido.

 

De resto, tirando a parte da beleza óbvia da mensagem do filme e todos os pormenores tão bem pensados, não gostei assim tanto da parte fantasiosa da história, apesar de ter sido feita com bom gosto e nada de muito rebuscado ou exagerado (como até esperava que fosse), mas levei tudo mais para o cómico do que para a coisa séria, foi inevitável. A nível de história, também não posso dizer que seja marcante ou que nos deixe a pensar ou que me vá tirar o sono ou que sequer queira ver o filme outra vez.

Sinceramente, espero que não ganhe o prémio principal, porque mesmo tendo todos os apetrechos de qualidade ainda falta uma história que nos arrebate o coração, que nos surpreenda, que mexa connosco ou que nos marque de alguma forma. Eu não achei – e sou uma chorona nos filmes todos – e por não ser muito envolvente não voto mesmo neste para o Óscar. Nas restantes doze nomeações, tudo certo :) e hoje ninguém deve roubar o prémio individual a Guillermo Del Toro!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Call Me by Your Name

Se começámos pelo “melhor” (no papel), agora acabamos no “meu melhor”.

Deixei o meu favorito para o fim pelo receio de não saber descrevê-lo e a verdade é que não sei mesmo como passar o que achei deste filme. Mas é um carinho enorme por tudo, uma grande admiração e também uma grande parte de fã histérica dentro de mim quando relembro a banda sonora, os cenários e o ator principal. (Ahhhh)

Amei tudo neste filme. A história é muito bonita e absolutamente envolvente. Tão simples e tão forte, como eu já esperava antes de sequer ver um segundo do filme, mas saiu-me muito melhor do que podia imaginar. Aquele cenário de férias numa vila muito pequena e intacta, no Norte de Itália, onde Elio, o protagonista adolescente, passa todos os verões com a família. No verão do nosso filme em particular, ele cede o seu quarto a um hóspede por algumas semanas, o americano Oliver (um convidado do pai), que vem despertar nele sentimentos controversos.

Elio é um jovem introvertido de gostos intelectuais, sabe muito para a sua idade, cultiva-se, cria, compõe, toca e naqueles verões mata o tempo a ler, a mergulhar com os amigos e a passear de bicicleta pelo centro da aldeia ou a escrever no seu journal pessoal, pelos recantos que só ele conhece. Tem uma namorada que adora. Fala naturalmente três línguas e tem uma sensibilidade acima da média, mas a chegada de Oliver fá-lo perceber que não sabe o principal: quem ele é na sua essência.

O filme é todo sobre descoberta, sobre liberdade, experiência, compreensão e, acima de tudo, sobre amor. Todo ele é muito poético, as imagens são lindas, as músicas mexem connosco, a história é perfeita. Nada de rebuscado, de forçado, de muito diferente. O filme é simplesmente belo. E para quem acha que está “a ficar batido” fazer histórias de amor homossexual, então eu pergunto-me se não seria melhor parar primeiro com os filmes sobre “amor hetero”, que também já são uns quantos :)

 

 

 

 

 

 

A sério, este filme está longe de ser sobre o tema gay, é tão mais que isso, e muita da beleza dele está mesmo aí. Não se foca nesse aspeto, tudo é lindo e natural e a cereja no topo do bolo é aquele Chalamet. Ai ai ai. Timothée Chalamet… O que dizer? Este rapaz é um vício, igualmente artístico na sua individualidade, com qualquer coisa de muito única nele que não nos deixa mesmoooo indiferentes. Aliás, eu fui a correr ver o Lady Bird quando soube que ele participava no filme, vi os dois em dias consecutivos por isso mesmo.

Não sei explicar melhor sobre o que me apaixona neste filme, só posso dizer o que sinto passadas semanas de o ter visto, que é uma vontade inexplicável de o ver novamente, é a banda sonora liiinda a tocar sempre no meu computador desde aí, é o nervosinho para a noite de hoje a torcer MUITO pelo Chalamet e pelo próprio filme para os Óscares… É pensar no filme constantemente, do nada, como uma fonte de beleza tocante e inspiração perfeita quando me quero lembrar de coisas de que gosto mesmo muito. Como uma peça de arte inesquecível… É assim que (acho que) o vejo :)

 

 

 

No entanto, no fim de todo este histerismo com o filme – e depois de já me imaginarem de bandeira hasteada para esta noite e posters do filme no quarto, etc. -, eu não sei se este filme é para todos os gostos. Não sei se toda a gente aprecia histórias poéticas e um pouquinho alternativas. De filmes em que os silêncios por vezes dizem mais do que as próprias falas. De cenas que se arrastam só por serem bonitas e não por nos mostrarem alguma coisa “relevante” ou específica. De filmes a um ritmo lento, que nos dão tempo para saborear e só nos arrebatam pela simplicidade das coisas…

Não garanto que vão gostar, mas garanto que o adorei e é o meu favorito dos que já vi e merece cada nomeação para hoje. Sou totalmente #TeamCMBYN !! E vocês, já viram este ou ainda esperam pelas “notas” da Academia? :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta cena final valeu a Chalamet mais de metade da nomeação para o Óscar (dito por mim, não por especialistas) e vale mesmo a pena ver até ao fim, pois nestes minutos passam-se todas as emoções e cenas do filme nas expressões de Elio, entre sorrisos, dor, lágrimas de felicidade e de sofrimento… Uma representação que adorava mesmo ver premiada esta noite!

Quais são as vossas apostas?

Comments

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2 Comments

  • Caracol says:

    Concordei em tudo o que disseste e tenho exactamente a mesma opinião que tu! Infelizmente o nosso favorito não foi muito premiado nos Oscars, ainda não percebo como não ganhou o Oscar de melhor musica original, a banda sonoro do Call m by your name é só genial!! Entre outras coisas, mas como tu disseste o filme não é para todos, e nem todos tem a sensibilidade necessária para apreciar esta obra de arte. Beijinhos!