The Founder – Inspiração de Metade do Ano

Hoje iniciamos a segunda metade do ano, mais um ano que avança depressa e sem pedir licença e eu deste lado a tentar implementar novas rotinas e novas estratégias para obter cada vez melhores resultados. Para quem dedica o ano (e a vida), um dia de cada vez, a tentar concretizar um projeto específico, a importância dos recomeços fica cada vez maior. Ora é porque entra um mês novo, uma estação nova, uma idade nova, uma década nova… Cada semana novinha em folha ou mesmo cada dia que nasce é uma nova oportunidade e desculpa de motivação perfeita para recomeços.

E se nada há de errado neste hábito de celebrar cada dia (antes todos tivessem esta “pancada”), o que dizer desta segunda metade de 2017, que chega precisamente a uma segunda-feira? Bom, para quem viu mais meio ano passar sem bons resultados, esta parece mais uma data muito simbólica e de aproveitar para novo arranque de objetivos e daí hoje vir com um post de alguma inspiração empreendedora, sobre mais um filme que vimos cá por casa, para espreitar a verdadeira história da origem da McDonald’s.

 

 

Nem todos os grandes “impérios” têm histórias românticas de sucesso nas suas origens. Aliás, a maioria dos que têm, também não as têm: são normalmente um bocadinho enfeitadas para dar uma história gira e “contável” durante muito tempo, não entrando em grandes pormenores e criando uma figura de semi-herói à volta do fundador.

Bom, esta história é precisamente à volta do fundador da McDonald’s, que nem sequer é o seu verdadeiro fundador (ou será que é?). Confusos? Bom, ficarão na mesma porque não quero revelar tudo, digo para já que vale a pena escolher este filme para ver uma história de sucesso diferente do comum. Mas talvez muito mais realista que as comuns. Eu passo a explicar:

Os irmãos McDonald tinham uma barraquinha de cachorros quentes em Arcadia (Califórnia), que durante três anos se chamou Airdome mas ao fim desse tempo se mudou de localização, para San Bernardino (também Califórnia) e com um novo nome: McDonald’s. Aqui mudaram também o conceito e criaram um restaurante com menu abrangente (maioritariamente churrascos), onde a comida era servida por empregados que circulavam de patins entre o estabelecimento e os carros. Este restaurante ficava na Route 66 e na altura usava-se este tipo de conceitos de pedir e comer no carro, ser tudo entregue de patins.

Ao fim de algum tempo, os irmãos aperceberam-se de que o lucro do restaurante vinha quase todo dos hambúrgueres e reduziram o menu para se especializarem nesse item, acompanhado de batatas fritas e milkshakes, o que rapidamente se revelou um sucesso. Aquele restaurante tornou-se referência. Tinha também acabado de desconstruir as leis de montagem dos restaurantes típicos e isso rendeu-lhes o grande sucesso: tinham dispensado os empregados de entrega nos carros e uma série de funções no restaurante, porque agora havia uma linha de montagem da comida rápida e em série, entregue em mãos ao consumidor final, pela janela.

Os donos ainda não se tinham apercebido, mas estavam a mudar o nosso mundo e a criar o fast food!

Os resultados foram visíveis e decidiram franchisar o conceito, com sucesso. Eles podem não se ter apercebido da pérola que estavam a criar, mas houve alguém que se apercebeu e fascinou-se de imediato com este novo conceito quando ouviu falar dele, na outra ponta dos EUA e só descansou quando foi vê-lo com os próprios olhos. Falo de Ray Kroc, que conseguiu arranjar um pretexto para marcar reunião em San Bernardino (ele vendia máquinas de milkshakes de porta em porta) e atravessou o país de automóvel só por uma hora de atenção daqueles proprietários. Na verdade, só por uma hora dentro daquele negócio. E foi assim que ele se tornou n’O Fundador – o protagonista deste filme e desta história também. O resto terão de ver…

Parece estranho? Parece traição? Tudo bem, talvez seja. No mínimo, foi pouco ético tudo o que veio a fazer de seguida para ficar com todo o império McDonald’s. Mas, já agora: seria hoje um império se ele não tivesse aparecido?…

É muito pouco provável.

Quantas vezes nos deixamos enganar por grandes negócios que nos parecem enormes golpes de sorte; grandes mentes que parece que “só estavam no sítio certo à hora certa”; por pessoas super visionárias que nos parecem verdadeiros trafulhas, apenas porque tiveram a ousadia de fazer aquilo em que acreditavam, o que o sonho lhes pedia, a qualquer custo.

Na verdade, os heróis fundadores dos grandes impérios – cujos nomes ficam durante muito tempo na história – são somente pessoas iguais a nós (a mim e a ti), mas que tiveram a coragem de atravessar países como os EUA de automóvel só para ver o sonho com os próprios olhos. E repetir a jornada vezes e vezes sem conta, sem hesitar, sem sequer saberem que o que estavam a fazer era muito mais que o normal. A coragem de partir e deixar tudo para trás, sem saber que estão a fazâ-lo, porque a adrenalina daquela visão fala muito mais alto. A coragem de ir além do ético e do possível – nem há “tempo” para pensar sobre isso – porque têm a certeza do que estão a fazer e que o que estão a fazer vai resultar. Tem de ser feito.

E, no final, o sucesso é de quem teve a visão, de quem ousou fazer e ir mais além, de quem teve a coragem de levar as coisas para outro nível. Um nível que mais ninguém consegue visualizar ou acreditar. Só ele: o louco/herói/vilão fundador.

 


Normalmente, os empreendedores que fazem história são os que correram a cumprir a sua visão e instintos, sem medir os riscos que corriam nessa perigosa aventura e sem sequer parar para pensar nisso primeiro. Parece loucura? É claro que é uma loucura, até porque tudo pode dar errado, podem perder tudo depois de terem realmente apostado tudo – se não fosse preciso uma valente dose de loucura, toda a gente possuiria impérios.

Mas vale a pena arriscar pela certeza de que só vão parar quando tudo finalmente correr como imaginaram. E essa pessoa não vai parar ou descansar um dia até chegar lá. Porque já arriscou demasiado; porque agora não há outro desfecho possível. E aqui arrisco eu a dizer com toda a certeza: para ter um fim, a história só pode acabar bem.

Comments

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1 Comment

  • Catarine says:

    Quero mesmo muito ver este filme.
    Beijinho.
    lefashionaire.com